
Está quase a arrancar a campanha da azeitona 2026. O aumento no preço dos combustíveis, aliado ao excesso de azeite produzido na Tunísia, pode provocar uma crise idêntica à que afeta o setor do vinho, ou seja, excesso de produção, contra fatores caros e queda do preço no mercado.
Com início previsto para fins de outubro, as temperaturas elevadas que se têm feito sentir podem antecipar a maturação da azeitona e levar alguns produtores a começar mais cedo a colheita e a laboração nos lagares.
Segundo a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, com sede em Beja e que representa mais de 53 mil hectares de olival, 21 lagares e cerca de 70% da produção nacional de azeite, a produção de azeite em Portugal deverá crescer este ano quase 10% em relação ao ano passado, aproximando os valores da campanha de 2024/2025.
A confirmar-se esta previsão, a campanha de 2026/2027 deverá produzir cerca de 177 mil toneladas, após a campanha do ano passado que totalizou 160 mil toneladas de azeite a nível nacional, traduzindo-se numa recuperação do setor.
Gonçalo Moreira, presidente da Olivum, sublinha no entanto ser “ainda prematuro tirar conclusões sobre a campanha”, mantendo o foco no “compromisso do setor com a qualidade de excelência do azeite português, reforçando o posicionamento de Portugal no topo dos grandes produtores mundiais”.
Bom azeite, custos altos
A associação alerta, também, que apesar das “boas perspetivas” para este ano continua “com atenção à evolução dos custos de produção, nomeadamente, associados aos combustíveis”.
“Em Portugal continental, o preço médio do gasóleo agrícola registou uma subida de cerca de 60% e o gasóleo rodoviário aumentou 40% quando comparado com o período homólogo da campanha”, encarecimento que se traduz em “um desafio adicional que o setor enfrenta na gestão da presente campanha”, assume.
A produção de azeite na região de Rio Maior destaca-se pela sua forte ligação à identidade local e por uma geografia única, com forte base na tradição familiar, assumindo no entanto também um cariz industrial e comercial.
Destacam-se vários lagares de azeite industriais, em vários pontos do Concelho, especialmente orientados para um azeite de qualidade, de classificação virgem extra, na sua maioria (os mais recentes na tecnologia9 de extração a frio.
[Imagem: Chãos – 2024 RRM]



