Rio Maior: média das rendas a 5,9 euros por metro quadrado

Rio Maior registou uma renda mediana de 5,90 euros por metro quadrado nos novos contratos. Na Lezíria do Tejo, só Chamusca, Golegã e Alpiarça apresentam valores inferiores.

O arrendamento habitacional continua a encarecer em Portugal, mas a realidade está longe de ser igual em todo o território. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados no final de setembro, mostram diferenças significativas entre municípios.

Nos 12 meses terminados em junho de 2026, a renda mediana dos novos contratos de arrendamento em Portugal foi de 9,76 euros por metro quadrado, mais 9,4% do que no período homólogo. Mas, para quem vive e procura casa no Ribatejo e no Oeste, é sobretudo a comparação entre municípios próximos que permite avaliar a verdadeira dimensão dos preços.

 

Rio Maior a 5,90 euros/m²

Em Rio Maior, a renda mediana dos novos contratos chegou aos 5,90 €/m², depois de ter sido de 5,57 €/m² um ano antes. Isto representa uma subida de 5,9%.

Em termos práticos, a mediana corresponde a cerca de 590 euros mensais para uma habitação de 100 m². Naturalmente, este valor é uma referência estatística: as rendas concretas variam em função da localização, dimensão, estado de conservação, tipologia e qualidade do imóvel, e referem-se sempre aos valores declarados em contrato.

Na Lezíria do Tejo, Rio Maior apresenta atualmente uma renda inferior à de vários dos principais municípios da sub-região.

Santarém regista 7,71 €/m², Almeirim 6,99 €/m², Benavente 8,05 €/m², Azambuja 7,92 €/m² e Cartaxo 6,45 €/m².

Entre os municípios com informação disponível, Rio Maior, com 5,90 €/m², fica acima apenas de Chamusca, com 4,03 €/m², Golegã, com 5,02 €/m², e Alpiarça, com 5,21 €/m². Coruche apresenta 6,67 €/m² e Salvaterra de Magos 5,98 €/m².

 

Uma posição intermédia no território

O concelho já não pertence ao grupo dos mercados de arrendamento mais baratos do país, onde surgem sobretudo municípios do interior com valores próximos dos 300 euros mensais por uma casa de 100 m², permanecendo no entanto abaixo dos valores praticados nos mercados residenciais mais pressionados.

Mais importante para a realidade local, Rio Maior apresenta uma renda mediana inferior à de Santarém, Almeirim, Cartaxo, Coruche, Azambuja e Benavente.

E esta posição pode ser relevante na capacidade do concelho para atrair famílias, trabalhadores e novos residentes.

 

Mas, poucos apartamentos novos chegam ao mercado

Se o preço das rendas ajuda a explicar a pressão sobre a habitação, os números da construção ajudam a perceber o problema do lado da oferta. Os dados do INE mostram que Rio Maior tem registado, nos últimos anos, um volume reduzido de novos fogos licenciados, sobretudo tendo em conta a procura existente.

Em 2023 foram licenciados 130 novos fogos em construções novas e, em 2024, 109, em 2025, o número foi de 65. Estes valores incluem moradias, pelo que o número de novos apartamentos é ainda mais reduzido.

A estatística do INE distingue ainda os edifícios de apartamentos das moradias, confirmando que uma parte significativa da construção residencial no território continua a ser feita em habitação unifamiliar.

 

E quando olhamos para o Oeste?

No segundo trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos na região Oeste e Vale do Tejo foi de 7,75 €/m², abaixo da mediana nacional de 10,17 €/m² nesse trimestre. A região registou, ainda assim, uma subida homóloga de 9,8%.

Os municípios do Oeste mais procurados e com maior pressão habitacional apresentam, em geral, valores superiores aos de Rio Maior. Num retrato divulgado este ano com base nos preços de oferta, por exemplo, Caldas da Rainha surgia nos 10 €/m², Alcobaça nos 10,1 €/m² e Lourinhã nos 10,5 €/m².

São, contudo, preços pedidos em anúncios, e não a mesma estatística dos novos contratos do INE, pelo que a comparação deve ser vista apenas como indicativa.

 

Pressão pode aumentar

Rio Maior apresenta atualmente uma combinação da sua localização e uma rede de acessibilidades rodoviárias que a aproximam dos principais centros urbanos e económicos do litoral.

A diferença para Santarém ou para vários municípios da Lezíria não é suficientemente grande para transformar Rio Maior num mercado isolado e barato, mas é suficientemente significativa para poder funcionar como fator de atração para quem procura uma alternativa habitacional.

Estes fatores levam a que por uma lado Rio Maior pode ser atrativo para mais habitantes, mas por outro lado criar ainda mais pressão nos preços se não aumentar a construção.

A subida de 5,9% num ano mostra isso mesmo, refletindo que existe procura e que a oferta disponível não está a acompanhar totalmente essa procura.

 

 

[Fontes: Instituto Nacional de Estatística (INE), Estatísticas de Rendas da Habitação ao Nível Local; INE, novos contratos de arrendamento nos 12 meses terminados em junho de 2026; Idealista]

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