
A partir de abril de 2026, as garrafas e as latas de bebidas serão 10 cêntimos mais caras na compra: vêm aí o SDR.
O consumo de bebidas está prestes a sofrer mais uma transformação profunda: a partir de 10 de abril de 2026, todas as garrafas e latas de bebidas em Portugal vão passar a incluir uma taxa de depósito de cerca de 10 cêntimos.
Chama-se Sistema de Depósito e Reembolso (SDR Portugal), é coordenado pelo Ministério do Ambiente, e tem o objetivo de aumentar a reciclagem, reduzir resíduos urbanos e criar novos postos de trabalho.

E como é que o Consumidor pode recuperar este valor?
Nas Máquinas Volta e nos pontos de recolha manual
Quando a embalagem vazia for entregue num ponto de recolha. O Consumidor poderá recuperar o depósito em dinheiro, voucher para compras, crédito em cartão, doação a instituições de solidariedade ou, futuramente, por transferência digital, dependendo do ponto de recolha e das opções disponíveis.
Para isso, tem de se dirigir a uma das 2500 máquinas automáticas que passarão a existir, conhecidas como “Máquinas Volta”, deslocar-se a um dos cerca de 8 mil pontos de recolha manual, ou num dos 50 quiosques automáticos, estes localizados em zonas com menor cobertura de supermercados.
As embalagens recolhidas serão enviadas para seis centros de processamento e duas unidades de triagem, localizadas em Lisboa e Porto, garantindo que o material possa ser transformado em nova matéria-prima e reinserido numa lógica de economia circular.
Supermercados grandes aceitam tudo, os pequenos só o que venderam
A implementação do SDR exige que os supermercados maiores aceitem todas as embalagens abrangidas pelo sistema, mesmo as que não venderam.
Já as Lojas com área entre 50 e 400 metros quadrados, se optarem pela recolha manual, apenas aceitarão as embalagens que comercializam.
As máquinas Volta terão sensores capazes de verificar peso, material e códigos de barras das embalagens, garantindo a prevenção de fraudes. Todo o processo será rastreável digitalmente, com auditorias internas e penalizações financeiras para irregularidades.

Tudo porque não estamos a reciclar o suficiente
O SDR surge porque Portugal apenas recicla cerca de 37% das garrafas, muito abaixo da meta europeia, que é de 70% até 2030.
As “Máquinas Volta” e os Pontos de Recolha pretendem reduzir a emissão de 109 mil toneladas de CO₂ por ano e criar cerca de 1500 postos de trabalho diretos e indiretos, ao mesmo tempo que melhora a qualidade da reciclagem e reduz os resíduos urbanos.
O valor do depósito será uniforme para todas as embalagens de até três litros, com o objetivo de simplificar a operação e tornar o sistema facilmente compreensível para os consumidores.
Cada embalagem terá de estar intacta, com tampa e rótulo, e será identificada com o símbolo “Volta” junto ao código de barras. Embalagens fora destes padrões serão encaminhadas para o ecoponto amarelo tradicional.
A devolução poderá ocorrer em diferentes formatos: dinheiro, voucher para compras, crédito em cartão, doação ou, futuramente, transferência digital, como MB Way.
As máquinas não terão moedas, mas emitirão talão comprovativo do valor devolvido, que pode ser utilizado no supermercado ou entregue na caixa para reembolso em numerário.

O sistema já foi testado
Consumidores são motivados a devolver embalagens se receberem por isso
O sistema foi testado em projeto-piloto entre 2020 e 2022 em 23 supermercados, que recolheu quase 19 milhões de garrafas. A experiência mostrou que a compensação financeira é fundamental para motivar os consumidores a devolverem as embalagens, e permitiu ajustar procedimentos, formação de funcionários e prevenção de fraudes.
Além do impacto ambiental e económico, o sistema pretende mudar o paradigma do consumo em Portugal, incentivando que os cidadãos devolvam as embalagens para recuperar o valor pago, transformando resíduos em recurso. O sucesso de sistemas semelhantes noutros países europeus, como a Noruega, demonstra que estas medidas podem atingir taxas de devolução de 90%.
1500 postos de trabalho e 150 milhões de euros de investimento
Para além dos cerca de 1500 postos de trabalho diretos e indiretos, já referidos, o investimento para colocar o SDR em funcionamento, incluindo máquinas automáticas, pontos de recolha e centros de triagem, estima-se entre 100 e 150 milhões de euros, preparando o país para uma economia mais circular e criando novas oportunidades de emprego e consciência ambiental entre consumidores e empresas.
[Imagens: BBC, thisisfinland, CCAmoreiras, LisboaSecreta]



