
[por Filipa Gaspar]
A Fundação Calouste Gulbenkian deu destaque à inteligência artificial no jornalismo em Portugal, com a apresentação do “Livro Branco”, a 15 de dezembro último.
Esta obra pretende analisar o modo como o setor do jornalismo se relaciona com as ferramentas de IA (inteligência artificial), e como futuramente estas se podem integrar de forma ética e transparente nas práticas jornalísticas.
Uma das conclusões tiradas realça a preocupação dos profissionais do jornalismo com a propagação de desinformação. 64,4% dos jornalistas acreditam que a IA pode facilitar a criação de conteúdos falsos, apesar de também reconhecerem a sua possível ajuda na verificação de conteúdos.
Esta perceção levou à recomendação de uma sinalização pública e obrigatória de conteúdos generativos. O objetivo é assegurar que o público possa distinguir entre conteúdos humanos e conteúdos gerados por IA, promovendo a transparência editorial e a confiança no trabalho jornalístico.
A abertura do evento contou com a intervenção do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que destacou as medidas de apoio à inovação, investigação e formação, recomendadas no livro. O Ministro abordou a relevância que o governo prevê dar ao setor dos media, e assegurou que existe “disponibilidade para apoiar a formação de jornalistas mas também da modernização dos meios, nesta tarefa de se prepararem para esta nova era da inteligência artificial”.
Este livro foi financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, através do European Media and Information Fund e apresenta os resultados de uma investigação colaborativa. A equipa de investigação foi composta por 8 universidades portuguesas e brasileiras, com a coordenação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Nova FCSH).
Todos os relatórios e etapas da investigação podem ser encontrados em: iajornalismo.fcsh.unl.pt/outputs

[Fotografias: Filipa Gaspar]



