
Nestes últimos 30 anos, nunca tão pouco vinho se bebeu na União Europeia. A produção e a exportação estão em alerta máximo, ao que se somam os desafios das alterações climáticas e a política mundial, que inclui estados de guerra.
Perante este cenário o Conselho da União Europeia reconheceu que esta crise é estrutural e não passageira e aprovou um pacote legislativo que altera as regras de apoio ao setor vitivinícola.

Mudam regras de plantação
Nesta 2ª feria, dia 23, foi aprovado um Regulamento que reforça o sistema de autorizações de plantação de vinhas e confere aos Estados-membros maior flexibilidade regional, de forma a melhorar a oferta e evitar a sobreprodução crónica.
Os Estados-Membros podem limitar novas plantações em zonas com excesso de oferta e fixar limites regionais de 0% para novas autorizações.
Em situações de catástrofe natural, eventos meteorológicos extremos ou surtos de doenças, os viticultores passam também a ter mais um ano para plantar ou replantar vinhas afetadas, sem penalizações administrativas.

Mais dinheiro para promoção e vinho sem álcool
A isto, soma-se um pacote de apoios financeiros, onde para adaptação às alterações climáticas, os Estados-membros podem agora beneficiar de um co-financiamento europeu até 80% dos custos efetivos de reestruturação e reconversão das vinhas.
Já para a promoção de vinhos europeus em mercados de países terceiros, como os EUA, o Canadá ou países asiáticos, o financiamento europeu pode chegar a 60% das despesas elegíveis.
Aqui, os Estados-membros podem contribuir com mais 30% para pequenas e médias empresas e 20% para empresas de maior dimensão, para campanhas de promoção, que podem ainda ser financiadas durante três anos, renováveis por mais dois períodos de três anos, num total máximo de nove anos consecutivos.
Este Regulamento harmoniza as regras para os “novos vinhos” sem álcool ou de álcool reduzido, que constituem a “moda” nos mercados, cada vez com mais procura, e um desafio para os produtores.
Vinhos com menos de 0,05% de álcool deverão ser rotulados como “alcohol-free 0,0%” (sem álcool 0,0%), enquanto vinhos com teor igual ou superior a 0,5% de álcool, mas pelo menos 30% abaixo do padrão da categoria devem ser designados como “alcohol reduced” (teor alcoólico reduzido).
A “desalcoolização”, é vista como uma oportunidade para o setor, clarificando que é agora possível produzir vinhos espumantes “em álcool” a partir de vinhos tranquilos através de segunda fermentação ou adição de dióxido de carbono.

Enoturismo visto como complemento
Como complemento à atividade vitivinícola, o Conselho Europeu reforça ainda o apoio ao enoturismo.
Passam a ser elegíveis as despesas com estruturas e instrumentos de marketing orientados para a venda direta a turistas nas regiões produtoras.
As organizações de produtores que gerem denominações de origem protegida (DOP)e indicações geográficas protegidas (IGP) podem aceder a apoios específicos de enoturismo.

Vinho “dá de comer” a 168 mil portugueses
Portugal é um dos maiores produtores e exportadores de vinho do mundo, com mais de 170 mil hectares de vinha plantados, que dão trabalho a mais de 168 mil pessoas, direta e indiretamente.
Isto representa mais de 2,5% do PIB nacional e mais de 965 milhões de euros de exportações, em números de 2024, embora na última década se tenham perdido mais de 50 mil hectares de vinha, segundo o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
O concelho de Rio Maior pertence à região vitivinícola do Tejo (anteriormente Ribatejo), que agrega as áreas de vinha ao longo do rio Tejo, num total aproximado de 19 mil hectares de vinhas plantadas.
[Imagens: agripro, JMBarbosa, EAOV, Turismo do Centro, CVRTejo]



