
Fernando Sequeira Aguiar, médico ilustre e figura icónica de Rio Maior, nasceu a 14 de agosto de 1910, 2 meses antes da implantação da República, que tanto defendeu.
Publicamos um texto de Rui Andrade, sobre este ilustre Riomaiorense.
RECORDANDO O DR. FERNANDO SEQUEIRA AGUIAR
[por Rui Andrade]
Passam hoje 115 anos, sobre o nascimento do Dr. Fernando Sequeira Aguiar, lisboeta, da freguesia das Mercês, onde nasceu a 14 de Agosto de 1910, que veio a fixar-se em Rio Maior, no ano de 1945, correspondendo a um pedido de seu pai, que não era de Rio Maior, aqui vindo a exercer a medicina, nos seus consultórios, primeiro na Avenida de Salazar (de que muitos poucos se
lembrarão) e depois na Rua David Manuel da Fonseca, por muitos conhecida pela rua de cima nos serviços médicos da Previdência, no Hospital da Santa Casa da Misericórdia, onde ao longo de décadas prestou relevantes serviços, sempre com uma dedicação inexcedível, tendo colocado a sua vida profissional inteiramente ao serviço da comunidade riomaiorense, que muito lhe deve. Para além da sua actividade de médico, o Dr. Aguiar, pessoa com grande sensibilidade, teve intervenção nas mais diversas actividades da vida desta comunidade. Destaque-se, no plano cultural, a sua colaboração no Grupo Cénico Zé Pereira, notável agrupamento que na área do teatro tanto prestigiou a nossa terra.
A sua colaboração como médico dos nossos Bombeiros Voluntários e o orgulho com que envergava a sua farda.
Foi durante longos anos, presidente da direcção da Liga dos Combatentes, actividade que desenvolveu até Novembro do ano 2000.
Em 1958, publicou o livro – Por Rio Maior — colectânea de artigos que tinha publicado no jornal local “ O Riomaiorense”, em que abordava diversas questões urbanísticas da vila de Rio Maior, com prefácio do distinto advogado riomaiorense Dr. Alexandre Laureano Santos.
Como professor da disciplina de Higiene Sanitária, na antiga Escola Comercial, o dinheiro que auferia dessa actividade docente, juntava-o e, no final do ano, proporcionava aos alunos um passeio a Lisboa, com visitas devidamente organizadas a espaços de grande interesse cultural, que esses alunos ainda recordam com saudade.
Outra curiosa iniciativa do Dr. Aguiar: a 13 de Fevereiro de 1980, surgiu nas bancas o nº 1 do jornal “Notícias do concelho de Rio Maior”, de que era director e proprietário e que, não consigo, de momento, apurar quantos números vieram a lume.
No plano autárquico, fez sempre parte do importante órgão que é a Assembleia Municipal, desde as primeiras eleições em 12 de Dezembro de 1976, até à sua morte em 28 de Abril de 2001.
Há alguns anos, acompanhei o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior, ao tempo, o meu estimado amigo Dr. João de Castro e também outro membro da Mesa Administrativa, com o objectivo de fazermos entrega ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, de diversos utensílios, destinados ao núcleo museológico que aquela Santa Casa projeta criar. Um desses utensílios era o aparelho de radioscopia que o Dr. Aguiar possuía no seu consultório. Creio ter sido o único clínico de Rio Maior, a possuir tal equipamento, a expensas suas.
Em carta que, em tempos, me foi dirigida por sua única filha, também ela médica e também em nome de seus netos, a agradecer algo que tinhamos feito elogiando o Dr. Aguiar, ela recordou que ele preferiu, em vez de um jazigo de família num dos cemitérios de Lisboa, ficar no cemitério de Rio Maior, próximo dos que tinham sido seus doentes e assim,os seus restos mortais, repousam actualmente num ossário pertencente à Liga dos Combatentes, no cemitério municipal desta cidade.
No momento em que se atinge a data por mim referida no início desta singela intervenção, penso ser da mais elementar justiça evocar a memória deste “riomaiorense por adopção”, que tanto deu à nossa terra, que também foi sua e com quem tive o gosto e a honra de privar.
[O autor não escreve de harmonia com o acordo ortográfico vigente]
[Imagem: O Riomaiorense]



