Estradas cortadas, árvores caídas às dezenas por todo o lado, muros danificados e caídos, todo o tipo de estruturas metálicas arremessadas por aí, coberturas destelhadas, fios no chão, montras partidas, algumas viaturas danificadas, outdoors de publicidade no chão e torcidos, lojas com montras partidas…
Este era o retrato de Rio Maior, hoje pela manhã.

Pouco faltava para as 4 horas da madrugada (cerca de 3h50) quando a Depressão Kristin visitou a cidade e arredores e, talvez por não encontrar um estabelecimento aberto para um café, ficou furiosa…
Segundo o IPMA, as rajadas de vento atingiram aqui cerca dos 140 kM/h, em alguns momentos, e foi o corredor central entre as Marinhas do Sal e Vale de Óbidos que mais sofreu.
Jovens e crianças foram dispensados de irem às aulas, havendo adaptações para as atividades complementares às aulas.
Algumas superfícies comerciais, como o Pingo Doce das Taipas e o McDonalds também estiveram encerrados.
Entre as 3h50 e as 4h30 da madrugada a cidade de Rio Maior esteve às escuras, voltando o fornecimento a ser interrompido entre as 9h55 e as 12h10, e agora entre as 19h05 e as 23h15, desta feita na secção norte da cidade.
Várias localidades do concelho ainda se encontram sem o serviço elétrico reposto.
Esta manhã, por volta das 10h30 não havia previsões de re-ligação da energia já que o cenário era bastante complicado, segundo a empresa responsável, e-redes, que tem vindo a fazer esforços continuados até à completa regularização.
Pelo concelho de Rio Maior a Estrada Nacional 1 (EN1) foi sujeita a interrupção entre Rio Maior e o Alto da Serra, para remoção de árvore caída, para além do alagamento já reportado no sul do concelho, nas freguesias de São João da Ribeira e Ribeira de São João e Marmeleira e Assentiz.
Estádio Municipal de Rio Maior sofreu
Entre os vários danos verificados, a cobertura do Estádio Municipal sofreu bastante, sendo a zona da bancada sul a mais afetada, com as chapas metálicas a dispersarem-se pelos relvados (incluindo os sintéticos no exterior) e na via de acesso à Escola Secundária.

Provavelmente, toda aquela cobertura terá de ser revista.
Uma loja de artigos de cerâmica junto à Rotunda Francisco Sá Carneiro não teve uma única montra que resistisse à curiosidade da Kristin, sendo inclusive uma das prateleiras arremessadas para o exterior do espaço.

Não havendo, felizmente, danos humanos a registar, são muitos os danos materiais, aos quais seguros vão tentar responder e a Proteção Civil, autarquias (Município e Juntas), empresas e particulares vão ter de resolver nas próximas horas e dias.
Talvez o caso mais crítico tenha sido a queda de árvores sobre um tanque de gás junto ao Centro de Saúde, provocando uma rutura e fuga de gás, o que obrigou a cuidados redobrados e à evacuação daquele espaço.

Rua 19 de Agosto, em Ribeira de Santo André (Asseiceira) – foto de Ricardo Tomás, e Rua João T. Barbosa (Rio Maior) – foto de Maria da Graça Carvalho.
Depois de Leiria e Coimbra, Espanha a fora com chuva, vento e neve à mistura
A Depressão Kristin, que já segue Espanha fora, entrou no continente pela zona de Leiria, sofrendo assim esta região dos maiores danos registados no País.
A cidade de Leiria estava intransitável nesta manhã tendo a Proteção Civil apelado para que as pessoas não saíssem de casa de forma a poderem desenvolver todos os trabalhos de desobstrução em segurança.
Na ferrovia, a Linha do Norte encontrava-se cortada entre Entroncamento e Pampilhosa, sendo que na rodovia a auto-estrada A1 foi interrompida no sentido Sul-Norte, junto a Fátima, para limpeza da via.
Em Coimbra, no aeródromo local, a Kristin “juntou” várias aeronaves que se encontravam estacionadas num dos cantos.
Até ao momento há quatro mortes causadas pela passagem desta Depressão atmosférica, três em Leiria e uma em Vila Franca de Xira.
Vários concelhos continuam a ter problemas de abastecimento elétrico, de água e dificuldades em comunicar por telefone, continuando várias vias cortadas.

Um telhado que sofreu danos no centro de Rio Maior, e uma antena de comunicações, em Abrã (Santarém, numa fotografia da Star TV – Abrã.
O que é a Depressão Kristin afinal? Uma bomba meteorológica.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Kristin é “um fenómeno de “ciclogénese explosiva”, que é um tipo de tempestade que se tem tornado cada vez mais frequente e tende a ser cada vez mais intensa”.
É um processo em que uma depressão se intensifica, de forma muito rápida devido a uma queda abrupta da pressão atmosférica, no seu centro e num período de 24 horas.
Este fenómeno está associado ao desenvolvimento de ventos muito fortes e chuva intensa, e traduz-se em tempestades de grande energia e impacto.
Pode ser referido como “bomba meteorológica” ou “ciclone-bomba”.
Não se trata de um fenómeno novo em Portugal nem no resto do mundo, sendo recorrente, sobretudo durante os meses de outono e inverno.
São semelhantes a furacões, mas ocorrem principalmente nas épocas mais frias e com maior frequência sobre os oceanos.
A depressão Kristin é uma sucessão de outras anteriores, vindo a ganhar força, e foi nomeada pelo IPMA esta 3ªfeira, 27 de janeiro, depois da Chandra, nomeada pelo Reino Unido a 26 de janeiro e ainda do Joseph, a que o IPMA deu nome a 25.

O dia de 5ª feira 29 de janeiro
A região de Rio Maior conta com Aviso Amarelo para precipitação, por vezes forte, com vento também forte, com rajadas que podem ir aos 60 kM/h, até ao início da manhã.
O litoral Oeste estará mais complicado e para além do céu muito nublado e chuva intensa, o vento já pode ir aos 110 kM/h.
As Escolas de Rio Maior contam estar abertas e em funcionamento regular, com aulas, tal como as atividades complementares.
[Imagens: as não referenciadas são RRM e IPMA]
[Fonte: IPMA]



