“No dia de São Martinho, pão, castanhas e vinho”

Celebrado um pouco por todo o mundo neste dia 11 de novembro, o São Martinho surge para honrar Martinho, um soldado romano nascido na Hungria, que por volta do ano 316, fundou um mosteiro em Tours (hoje França), do qual se tornou Bispo.

A história, todos a conhecem: Martinho dividiu a sua capa com um mendigo num dia de chuva, e logo o sol raiou, criando o “mito do Verão de São Martinho”, que habitualmente acontece, mais dia, menos dia, por esta altura do ano.

 

Castanhas e vinho novo

Em Portugal é tradição comer castanhas assadas acompanhadas de água-pé ou jeropiga, tradição que assume outras formas noutros países.

Em Espanha as castanhas são substituídas pela matança do porco, na Alemanha a tradição passa por fogueiras, doces e vinho quente, enquanto na Itália se faz a prova do vinho novo e na Croácia as uvas são batizadas.

Por cá, a ligação entre o São Martinho e as castanhas terá vindo da tradição do magusto de Todos os Santos, celebrado a 1 de novembro e mais a norte do País.

Nesta data era habitual assinalar o “Dia dos Defuntos” ao redor de uma fogueira e com uma mesa onde não faltavam as castanhas, para que os espíritos dos que tinham deixado a família pudessem apreciar o aconchego das chamas e das iguarias.

Em 1852, a passagem ao Calendário Gregoriano retirou 10 dias no mês de outubro, o que levou a que o magusto de 1 de novembro passasse a ser celebrado a 11 de novembro, dia que foi mais tarde atribuído a São Martinho de Tours.

Ora, é em finais de outubro que os ouriços começam a cair dos castanheiros, libertando as castanhas, e o vinho novo, fermentado das uvas do final do verão, está pronto a provar.

A abundância de castanha e vinho nesta época do ano, em especial no centro e norte de Portugal, e a sua longa tradição à mesa dos lusitanos, foi quanto bastou para enraizar a tradição das castanhas e vinho no São Martinho.

 

Batata veio destronar a castanha

Na Península Ibérica a castanha é usada na alimentação humana desde tempos pré-históricos e representou um dos alimentos basilares das populações, em especial nas regiões de montanha onde se reúnem as condições mais favoráveis ao desenvolvimento do castanheiro (Castanea sativa).

Mais tarde, a batata veio a substituir a importância da castanha, mas que se manteve na dieta dos portugueses

Por curiosidade, e segundo o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, dez castanhas assadas (84 gramas) fornecem apenas 2 gramas de gordura, mas 17% da quantidade de fibra necessária diariamente e estão isentas de glúten.

Fornecem ainda 36% das quantidades necessárias de vitamina C, 21% de vitamina B6 e 15% de ácido fólico.

 

[Imagem: Caridade de São Martinho, Domenico Ghirlandaio, século XV (2.ª metade), Florença, Oratorio San Martino]

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